A Diretoria da Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP), Gestão 2025/2026, vem a público manifestar seu apoio à candidatura do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição no segundo turno das eleições presidenciais, a ser realizado em 25 de outubro de 2026.
Somamo-nos às inúmeras vozes, entidades e movimentos populares que, neste momento decisivo, defendem a soberania nacional, o fortalecimento da democracia, a garantia dos Direitos Humanos e a valorização da Ciência e da Educação Pública de qualidade.
Como campo dedicado ao estudo dos processos, discursos e práticas psicopolíticas, sabemos que a política não se restringe a programas e votos, mas é permeada por afetos, identidades e modos de nomear o outro e de se relacionar com ele. A desinformação sistemática explora o medo, o ressentimento e a insegurança para produzir adesão. A polarização afetiva converte adversários em inimigos. A desumanização de grupos inteiros prepara o terreno para que a violência contra eles pareça aceitável ou mesmo necessária. Esses processos não ficam restritos ao período eleitoral: corroem os laços sociais e fragilizam a vida comunitária, traduzindo-se em sofrimento concreto, sobretudo para quem já vive e sente no corpo o peso da desigualdade e da discriminação. Alertar para esses efeitos é parte do compromisso de nosso campo.
Entendemos que a Psicologia, como ciência e profissão, não se exime do compromisso ético-político com a sociedade em que se insere. Os princípios fundamentais que orientam nosso fazer exigem de nós uma posição nítida diante de projetos que os ameaçam. Entre eles estão a promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade humanas e o enfrentamento de toda forma de discriminação, violência e opressão.
Nesse sentido, reafirmamos a defesa das políticas sociais universais e abrangentes: conquistas históricas da sociedade brasileira e espaços fundamentais de atuação da Psicologia, como o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), bem como da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e dos princípios da Reforma Psiquiátrica e da luta antimanicomial, que asseguram o cuidado em liberdade.
Ademais, enfatizamos a ciência e o espaço no qual se engendra a produção científica, defendendo a ampliação de recursos financeiros às universidades, seu fortalecimento e seu caráter universal, protegendo a liberdade de expressão pautada na ampliação de direitos. Defendemos o aumento do número de universidades e cursos voltados ao bem estar da população, assim como para a abertura de possibilidades de futuro aos brasileiros em toda sua diversidade. A educação é um investimento para a abertura do campo de possíveis para todos os cidadãos.
Nosso compromisso ancora-se, ainda, no firme repúdio à misoginia, ao racismo, à LGBTfobia e à transfobia. Defendemos a laicidade do Estado brasileiro e de nossa profissão como condição para o respeito à diversidade humana. Por isso, rejeitamos toda tentativa de subordinar a Psicologia e a sociedade em que nos inserimos a valores religiosos particulares ou a preceitos moralistas, incompatíveis com os fundamentos científicos e ético-políticos que norteiam nossa atuação. Em um contexto de erosão climática, defendemos, igualmente, uma agenda comprometida com a preservação ambiental e com a defesa da vida no planeta, integrando humanos e não humanos. Tais compromissos estão ausentes da plataforma do campo político organizado em torno da extrema direita, que se vale, inclusive, de discursos negacionistas e que descredibiliza a ciência.
Reconhecemos a existência de divergências legítimas entre os diversos setores progressistas. Consideramos, contudo, que o que está em jogo nestas eleições é a própria democracia brasileira. A eleição de Flávio Bolsonaro representará a consolidação de uma agenda radicalmente neoliberal e ultraconservadora, capaz de aprofundar as históricas desigualdades do país, com o aumento da pobreza, da fome e do desemprego. O país já conheceu esses efeitos entre 2019 e 2022, quando estivemos sob o governo de Jair Bolsonaro, quando o Brasil retornou ao Mapa da Fome da ONU e mais de 33 milhões de pessoas chegaram a viver em situação de fome.
Trata-se, ademais, de um projeto político ancorado em matrizes autoritárias próprias de regimes fascistas. Elas se expressaram nos ataques sistemáticos às instituições democráticas e ao sistema eleitoral, culminando nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, que não podemos esquecer. Seguem se expressando na disseminação do ódio como estratégia política e na naturalização da violência contra grupos historicamente subalternizados, como a população negra, a população LGBTQIA+ e os povos indígenas. A vitória de Flávio Bolsonaro significará um grave retrocesso na luta por direitos e igualdade e uma derrota para o conjunto da classe trabalhadora, que depende de políticas públicas para preservar conquistas históricas e avançar naquilo que ainda falta.
Por tudo isso, a Diretoria da ABPP apoia a reeleição do Presidente Lula. Convocamos psicólogas e psicólogos, estudantes, pesquisadoras e pesquisadores e representantes de movimentos sociais a se engajarem, até o dia 25 de outubro, no diálogo, no enfrentamento à desinformação e na defesa do voto com responsabilidade. Ampliar os direitos sociais, aprofundar a democracia e construir um mundo comum pautado pela solidariedade são tarefas das quais a Psicologia não pode se ausentar.
Diretoria da Associação Brasileira de Psicologia Política
Gestão 2025/2026
Brasil, 09 de outubro de 2026.
